Transição

Por Vitória Cabral

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Se reinventar é uma tarefa diária. Mas será que existe alguém inteiramente completo? Vez por outra fico imaginando se esse alguém não poderia ser eu, se de fato este alguém é real. Mas já parou pra pensar quanta gente de papel exite por ai? Gente que a gente inventa que é feliz 24h, e bem por isso nos obrigamos, quase sempre, a estampar um belo sorriso no rosto. Gente que a gente inventa que não tem problema como eu e você e que idealizamos, de longe ou de perto, uma felicidade eterna.

Daí eu lembro do trecho daquela do Rodox – De Uma Só Vez “se escrever com giz a chuva apaga o que é definitivo como tatuagem”, quanta coisa que abandonei por anos e quando fui buscar o tempo já havia levado pra dizer que não era eterno. Quantas coisas me assombram por não serem exatamente como antes, mas quanta gente eu assusto por já não ser o que lembravam.

A vida é meio disso e daquilo, de medo e coragem, de olhar pra frente e abraçar a nostalgia. Mas daí tem um hora que a gente tem de entrar pelo nosso avesso pra entender quem nos tornamos e equilibrar o que é saudade com o que é ilusão.

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2 Comentários on Transição

  1. Gustavo
    fevereiro 24, 2015 at 6:48 pm (3 anos ago)

    Texto fantástico, e me surpreende sempre a capacidade de tocar nos assuntos que pouca gente tem coragem de falar. Muita gente por ai usam máscaras pra esconder medos, dores e fragilidade; fingem ser fortes quando não são. O quão difícil é mostrar-se inteiramente pra outra pessoa, confiar que ela nunca vai lhe decepcionar ou usar da sua transparência para com ela e em algum momento lhe prejudicar.
    Esse talvez seja o motivo de tanta gente de papel, mas pra elas só um conselho, cuidado com a chuva.

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