Do amor que não tive

Por Vitória Cabral

e69abf30e3b46e3c06196f999ffe1d22 Escrevo com a vida pulsando na veia. Descubro as veredas do meu ser, olho para mim mesmo no espelho e o que vejo são olhos brilhando de vida – vida vivida, vida a se viver. Não me entrego aos suplícios da solidão, aos pedidos da angústia e ansiedade; sorrio e sigo. Há o que me espera. O peito tem a bússola de mim, a razão é responsável por decifrá-la.

Amo com o coração apertado por não poder fazê-lo mais do que o faço, não é sempre que vejo nos fatos aberturas para encaixar o sensível de mim – o que me vejo sendo é razão; nem sempre por opção, mas por vontade que não pode ser cumprida; quem dera pudesse amar mais do que amo, ser mais do que sou. A insatisfação não deve ser razão para a revolta, mas princípio da mudança, e eu sou insatisfeito com o que não posso fazer. Minha razão é represa para o rio de sentimentos que sou: um coração que transborda querer bem, ser bem – viver bem.

Se você me perguntasse o que penso do amor diria que o que me move ainda que aja racionalmente. O amor é o motriz de meus impulsos mais racionais; amo, e nada mais. Então, simples pergunta, o que é amar? Quantos tentam responder a esta pergunta sem resposta cabível em palavras, amar é ação que não fica na ideia, bate na porta da consciência e se coloca como imperativo, sinequanon da vida, ama quem vive, ama quem sofre por querer demais, ama quem se entrega por direito, por razão – por si, por amor, por nada.

IMAGEM: Sara Herranz

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3 Comentários on Do amor que não tive

  1. Renny
    novembro 24, 2015 at 12:46 am (2 anos ago)

    “não é sempre que vejo nos fatos aberturas para encaixar o sensível de mim – o que me vejo sendo é razão(…)”
    Refletindo…

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  2. Ceci
    dezembro 11, 2015 at 9:32 pm (1 ano ago)

    Vivi’s, MEU DEUS!!! Victor, eu te vejo todo dia, mas isso aqui não! Minha nossa! Vou dizer de novo quando te encontrar lá pelo CAp, mas você escreve MUITO!!

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  3. Taise
    janeiro 3, 2016 at 7:32 am (1 ano ago)

    Simplesmente lindo e poético!…

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