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Vírgula

Por Medo da Pressa

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No escuro, um vazio.
Em meu peito, uma dor.
No caminho, tempo frio.
Na cabeça, um grande amor.

Sobre a face, uma lágrima.
Entre os dedos, uma flor.
À tristeza, seja anátema.
Aos meus olhos, uma cor.

Cinza cobre, cinza prata.
Sim, já cego, sem rumor.
Sempre aberta, sente a farpa.
Na ferida, um tremor.

Entre os anos, entram tempos.
Entre os tempos, esperança.
Menos dor, mais sentimento.
Pela vida, salta e dança.

Com sorrisos, mais amigos.
Nos olhares, compaixão.
Os momentos, mais vividos.
Aos meus dias, emoção.

No amor, o tempo é rei.
Na alegria, é bonança.
Na ganância, o tempo é lei.
Nos humildes, é criança.

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Sobre aquela canção

Por Vitória Cabral

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Precisava andar só, com os pés descalços e repensar a vida enquanto a areia passava pelos meus dedos.

Eu havia me tornado uma estranha em mim, havia perdido meu jardim secreto, meu lugar seguro. Mas como voltar dentro de si mesmo? Dizem que o que nos impede de andar pra frente é a direção que escolhemos. Eu ficava pensando e repesando sobre isso, enquanto tentava arrumar a bagunça dentro do que diziam ser minha alma. Já era um bom começo.

De passo em passo, quando percebi, eu corria por ai como uma louca, respirando fundo e com uma vontade insana de chorar. E juro, eu juro mesmo que ouvi alguém sussurrando “You were made to go out and get her”. Foi ai que fui parando. Eu não precisava fugir, só mudar a direção de tudo, só arrumar todo o caos que havia dentro do meu coração/mente.

E eu poderia nem estar perto do que mais queria conquistar, mas eu sabia que realmente era isso que ia fazer. Não era uma dor tola que ia me fazer retroceder.

Voltei pra casa olhando as coisas como elas poderiam ser, ainda tinha vontade de chorar enquanto sentia a areia passando pelos meus pés, mas era um choro de consolo próprio. Escolhi uma música triste e me senti melhor, o medo passou, o sol também.

 

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Insensatez | parte 3

Por Vitória Cabral

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Ela não aguentou, depois dele perder sua formatura, de tão bêbado, ela saiu de casa. Deixou tudo okay, até comprou o pão. Não tinha raiva. No fim, o carinho era grande, sabia que não adiantava tentar mudar o que ele era, mas já tinha mais que pago uma dívida; tinha se afastado dos amigos, que não entendiam. Sem contar com a família que tinha avisado que aquele romance não ia durar muito tempo, que depois de dois meses ela enjoava e arrumava um surfista estudante de direito, combinava mais.

Depois de tanta abnegação, esforço, renuncia deixou um bilhete perto do saco de pão; já não dá pra viver assim, na quinta nos vemos naquela sorveteria.

Ela pensou, voltou no tempo, ligou pras amigas, saiu pra se reconhecer. Chorou um pouco, ficou bêbada e falou que iria mudar e que amava as amigas. Mas ninguém costuma acreditar numa promessa de segunda ou terça.

Ficar na casa da irmã mais velha era melhor que ficar na casa dos pais, mas a irmã teve que dizer e redizer o quanto abominava aquele cara sem futuro.

Chegou a tal quinta, e realmente fez as malas de vez, mas não o deixaria tão só, já havia organizado sua vida, não ia deixar que ele continuasse uma bagunça, arrumou um emprego pra ele na agência de um amigo.

O amor não foi suficiente, e mesmo que parecesse insensatez deixar um amor, ela teve de partir. Muda-lo seria injusto, ele era o que era, essa era a maravilha dele, e ponto.

Talvez o destino desse amor fosse a saudade um do outro, cheio de lembranças de algo que ambos, claramente, jamais esqueceriam, mas era obvio que continuar com esse amor seria uma escolha infeliz. É que nem sempre amor e felicidade são sinônimos.

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Insensatez | parte 2

Por Vitória Cabral

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Corre e quando vê já está na biblioteca do clube, entre as estantes. Pega um livro do Cabral e outro do Osman. No beco perto do clube vê uns caras puxando a sua garota pelo braço, como se tivesse a força de um touro enfrenta os valentões e leva a garota pra sorveteria mais próxima. Conversaram por horas, ela conta sobre a vida e chora um pouco. Ele não acredita no presente, mas entende tudo que sai da boca dela. Ela pede pra ver os seus desenhos e seu coração gela, seu estômago ferve, ou o contrário? Consegue responder que deixou o caderno em casa já que era o fim das aulas. Ela sorri e marcam outro sorvete pra que ela possa ver os famosos desenhos. Ele fica nervoso e a acompanha calado até a porta do seu prédio. Ela vai pensando em como ele é estranho, mas como ele foi bom, do pouco que soube dele por ele mesmo acabou se encantando por aquele garoto estranho.

Ela foi pro curso de economia, ele foi fazer cinema. Ela vivia da razão exata e ele dos sonhos impossíveis. Ela pagava o aluguel, ele esquecia de comprar pão. Ela pagava o plano de saúde e ele não tinha direção. Ele andava muito bêbado, ela já não era um sonho e ele amava ilusão. Ela o amava cada vez mais e ele ficava sóbrio cada vez menos. Ele desenhava gatos vermelhos, fazia festas no apê com um bando de gente feia e fedida, fumava e bebia mais que o combinado. Ela chorava por se sentir tão só e ele achava que o que viviam era poesia. Ela se formou e ele empurrava o curso com a barriga. Ela gritava, não entendia. Ele ria, não precisava cortar o cabelo, trocar de roupa ou tirar os sapatos pra dormir no sofá.

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Insensatez | parte 1

Por Vitória Cabral

Gente, eu adoro escrever umas besteiras. E por esses dias fiz um texto que vou repartir em três partes e postarei durante a semana, espero que gostem ♥

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Se derretia em lágrimas. Faziam cinco dias que revia cada passo dado e nada o salvaria daquela noite. Nada…

Se ao menos soubesse… não sabia, não tinha nem ideia, apenas queria seu amor de volta. Mas era inútil, no lugar de um coração batia um fino metal, era isso o que diziam dela. Tão fria e tão distante. Olhava sem nos ver de verdade, embora a gentileza estivesse presente em suas palavras sabíamos que seus sentimentos não passavam da boca.

Se considerava uma mulher prática, a única insensatez era amar um bêbado viciado em cigarros baratos, cabelos muito bagunçados e que vivia de fast food. Apesar de todos os pesares tinha um coração gentil e cheirava muito bem, aquele cheiro de amoras e cigarro tinha gosto de nostalgia. Além disso ele havia salvo sua vida.

Quando adolescente ele vivia desenhando seu rosto em vários ângulos e de várias formas, uma paixão quase secreta, pois ele achava que ninguém da escola sabia. Algumas vezes ele rondava seu quarteirão para ver se ela iria passar e sorrir de volta; isso nunca aconteceu. Depois virou sócio do clube só pra ficar olhando a garota tomando sol pela janela da biblioteca. Odiava o lugar, de frente para o mar e muita gente bonita no mesmo lugar; um resumo do inferno. Mas adorava o acervo da pequena biblioteca e as janelas que de cima contemplavam toda parte da piscina,  e ela sempre estava por lá.

No último dia de aula do último ano seu coração estava aos pedaços, nunca mais veria aquela garota todos os dias pela manhã, começou a usar um shampo de amoras depois de saber que era a fruta preferida dela.

O toque final estronda seu coração, todos comemoram, mas ele fica por ali, tentando imaginar como seria se ele topasse com ela por aí, talvez ela viaje pras festas de fim de ano. Talvez ela arrume um novo namorado…

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Sorria

Por Medo da Pressa

sorriaJá reparou quanta beleza há num sorriso? Esvazie-se dos preconceitos, esqueça os estereótipos. O sorriso vai além do que vemos, ele é gerado na alma e só então ganha expressividade em nosso rosto. O seu dia pode ser transformado a partir de um sorriso.

É através dele que elos se formam; é nele que esperanças se renovam; é por ele que amizades se firmam; é com ele que ganhamos mais vida. Se os olhos são a janela da alma, o sorriso pode ser facilmente a porta de entrada. Se o dia não está exatamente como você planejou, experimente sorrir mais. Se te olharam torto, retribua com um sorriso. Coloque um sorriso no rosto. Você fica muito mais bonita com ele.

Sorria! Mesmo que esteja ferida, sorria. É tão difícil olhar para cima quando você está para baixo. Você parece muito melhor quando você sorri, então sorria!sorria3

Kirk Franklin – I Smile (legendado) from Helison Sousa on Vimeo.

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Talvez Frued explique

Por Vitória Cabral

Tem vez que a gente se perde reorganizando a mente, reorganizando quem somos, por ai. O texto de hoje, do Israel José, mostra bem isso, uma garota no divã como eu e você e seus devaneios.

Boa leitura e segue o texto:

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-Como eu me sinto? Responder seria tão complexo quanto dizer como eu não me sinto. É como se me dessem asas, mas prendessem os meus pés.

Disse Sophi, no divã, olhando através do teto o nada.

- Até meus sonhos, que antes eram leves, pesam dentro de mim, já não voou, rastejo; em mim tudo se torna tão intenso que chega a tomar todo o espaço aumentando o vazio.  Nada de bom, porém, é lançado nessa terra de ninguém, todos contribuem com seus problemas, dúvidas e frustrações para esse mal sem voz, e que me oprime por dentro, me faz sentir o silêncio de minha alma oprimida pelo vazio.

Sinto que já não sou muita coisa além de matéria, me deixei em partes desiguais em cada perda que tive, hoje sou a ausência de mim mesma. Talvez não me roubaram nada, eu que me dei, talvez. No entanto poderiam ao menos ter me devolvido “eu” ao final de tudo, mas acho que fui tão boa para eles que decidiram tirar-me de mim.

 Às vezes chego a falar, rompendo com o silêncio, no intuito de acreditar nas palavras tão sem convicções, que saem de mim, há ainda alguma coisa porque lutar e viver. Alguma coisa que me tire algo, mas que dessa vez ainda assim continue em mim, talvez eu tenha achado, não sei; já não me resta muito do nada que sou, no entanto sinto o ar da vida me corromper toda vez que estou na presença de seus olhos, quando toco-lhe os lábios é vida que recebo deles, quando sinto seu sorriso é o sol reaquecendo meu corpo e minha alma. Não estou dizendo que essa pessoa seja a razão da minha vida, ou de quem eu espere motivos para ser feliz, pois eu nada sendo, comicamente, sobrevivi antes mesmo dela aparecer, só digo que com ela não me sinto tão perdida em mim mesma, o mundo se tornou menos assustador, e agora não apenas sobrevivo, mas também passei a viver.

Com os olhos pesados viu de longe o relógio e percebeu que seu tempo tinha acabado, levantando, se sentindo mais leve agora, agradece, e volta a enfrentar o mundo, no entanto sente que não está mais só.

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Poema Convidado

Por Medo da Pressa

“Eu costumo trocar textos com alguns amigos e vez por outra me pego com um poema que eu preeeciso reler mil vezes, pois é exatamente algo me toca, me tira o ar. É o caso do texto de hoje, eu precisava mostrar pra você leitor(a), assim que li, das mil coisas que pensei foi: tenho que postar no blog. Eu sei que você vai amaar o texto que segue”  Vitória Cabral

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Nunca pense que não podes voar
Não segure seu lindo sorriso, mesmo que por detrás haja mágoas
As coisas são feitas pequenas, constroem-se
Não duvide do seu coração, ainda que pareça doer
Ele lhe entende melhor que sua lógica
As grandes pessoas são as que tomam grandes decisões
Pois procuram incessantemente a simplicidade das coisas
Mesmo que duvides de si mesma
Ame essa dúvida, ela tem a resposta; aponta para dentro de você
O destino é algo imenso e há muito tento adivinhar o meu, sempre vejo uma variável como resposta…
Quando estou distante, não sei se você sente minha falta, pareço esquecer-te
No entanto, ao deparar-me contigo sinto que nada mudou; é instintivo
Acho que preciso de apenas uma dose sua…
Não quero fechar a porta para reabri-la novamente
Minha razão acusa o que é certo
e meu coração o que deveria ser loucura
Não preciso de alguém, não quero que alguém me saiba, isso me incomoda
Eu preciso de você. 

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Cartoondise ♥

Por Vitória Cabral

Ai! Como amo trazer ilustrações aqui pro blog!! Agora a vez é do Cartoondise, uma page que encontrei por indicação da Andressa Munhoz do Re.Começo que eu já postei aqui no blog. A Rayla explica na sua page o nome Cartoondise (arrasou na explicação, bem prática, como eu deveria ser) Cartoon + paradise. Desenhos baseados em coisas do cotidiano e tal. Abraço de urso! ♥ Peguei também uma pequena bio por ela mesma que é:  ”Meu nome é Rayla (se pronuncia raÝla), sou cearense, da cidade de Fortaleza. Eu fiz essa página pois queria compartilhar meu desenhos com todos. Já tinha feito um tumblr, mas não deu muito certo.
Então, eu comecei a desenhar já desde pequena, e até então não parei. Sempre fiz desenhos de pessoas, é o que eu mais faço. Adoro desenhar olhos e caras, não sei por que.
Agora, a aquarela entrou no meu mundo e estou maravilhada com o ‘poder’ dela, e o que ela faz junto com a nanquim.”

Vejam só o trabalho dessa linda: 

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O condicionado

Por Vitória Cabral

Acabei de ver a história do seu Raimundo Arruda Sobrinho, poeta e ex morador de rua.
O caso é antigo, mas ainda assim é válido espalhar por ai. O cara morou, durante 18 anos, em um canteiro de São Paulo que chamou de “A Ilha”. Ele tinha um sonho, lançar um livro, mas como morava na rua ficava difícil, dai ele conheceu uma mulher, Shalla Monteiro, que decidiu que ia fazer uma página no facebook e mostrar o que este senhor tinha pra dizer lê-se, ensinar.

Imagina só a gente aqui do Medo da Pressa que sempre postamos look lindos, tendências da próxima estação e coisas assim podendo compartilhar a história de alguém que se vestia com sacos pretos de lixo, alguém que tinha tudo pra ser vencido pelo “eu não posso” mas que nunca deixou de ser fiel ao que era, ou melhor,que não se abandonou”. 

Eu realmente estou emocionada sim, eu chorei com esse poeta, mas você ainda pode estar pensando: okay, mas ele tem talento?

Sim meu amor, ele tem, o cara escreve muito nas suas “Mini-Páginas” como ele chama seus escritos, que tem data de nascimento (meu filho, pra mim, isso já É uma poesia) e Ass. O Condicionado. Olha só isso:

“Desgraçado do homem que se abandona

Estas seis palavras acima indicam que, por pior
que seja a situação, nunca, nunca o homem deve
considerá-la perdida porque ninguém pode
dar garantia que adversidade seja invulnerável”

Raimundo Arruda Sobrinho, 04/11/2012

Sim, já ia esquecendo de falar uma coisinha, o Facebook conheceu a história do Condicionado e decidiu gravar um vídeo, que você já pode ver, tá

Estou super feliz com esta história . E um vlws pro Guga Cavalho que me mandou este link aqui e me fez conhecer este poeta ♥

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