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E se eu te disser que não?

Por Vitória Cabral

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Sou da filosofia que os dispostos se atraem.

Não adianta traçar um perfil psicológico, de tipo sanguíneo ou tentar responsabilizar as constelações pelo amor não vivido. No final de tudo a vontade é a força motriz pra que tudo dê certo. Já vi até ariana casando com canceriano e sendo feliz pra sempre, brincadeiras à parte não temos certeza do que pode acontecer, a única regra que podemos estabelecer é o controle sobre nossas escolhas, que por mais que nos apresentem como grandes dilemas são primordiais em nossas vidas. Não adianta te dizer que o que você quer não tem razão de ser, a lógica da probabilidade não te diz que nunca vai acontecer, então tenta.

Talvez seja hora de olhar pra dentro de si e perguntar se, de fato, você realmente quer o que pensa ser ideal, daí não precisará perguntar para mais ninguém.

O outro pode até entender o que se passa com você, mas o único que realmente tem o poder de escolha sobre sua vida é você. E nada de mimimi me dizendo que a vida quis assim, deixa o drama e vai tentar ser feliz.

Quando o irreal é invisível aos olhos

Por Vitória Cabral

ullySegundo a ciência da vida, observada por Antoine de Saint-Exupéry  ”é apenas com o coração que se pode ver direito; o essencial é invisível aos olhos”. É preciso sentir pra viver, é preciso ver, as pessoas são assim. E por onde anda nosso olhar?

É necessário tão pouco pra se perceber dono de imensas fortunas. Mas onde está teu tesouro? Sei que é lá que guardamos nossos corações, já dizia o Mateus, discípulo do Cristo. E muitas vezes me vejo mirando o irreal. Não sei se do lado daí as coisas também são assim, mas por aqui eu vivo mirando os sonhos e devaneios, bem certa de que uma hora tudo vai acontecer. Pode ser ilusório, mas é o irreal que move meu mundo, que me tira da cama com resistência todos os dias. É pensando em uma decolagem alta, sem previsão de pouso, que  a vida me faz continuar.

Autorretrato: Ully Flôres | @Ullyflores

Pulou pro talvez

Por Vitória Cabral

Pra compor o texto que fiz hoje trouxe uma foto por  @Janribeiro

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Olhou-se no espelho e repetiu três vezes o que já sabia não ser mais verdade. Abriu a porta e, para sanar seu minuto de lucidez e apagar de si o que não queria ver, tirou o batom da boca, meio borrado, em meios às lágrimas de si, meio meia.

Corria pela meta do instante que era – mas vai passar – precisa se curar daquela lucidez, precisa esquecer-se num canto qualquer e seguir o roteiro…

Parou de frente ao destino e pulou pro talvez.

Os textos por aqui

Por Vitória Cabral

Eu adoro transcrever alguns trechos de textos que gosto, tenho vários cadernos só pra fazer isso embora eu misture com tudo. E estava relendo uns textos e encontrei alguns do Vicotr B. Ramos, que já publicou aqui no MDP (confere aqui). Daí selecionei alguns trechos dele para mostrar pros leitores mais lindos da blogosfera ♥ hehehe

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Ilustras: Lizzy Stewart

Temos vários textos aqui. E se você curte os textos que publicamos aqui comenta, dá sugestão, manda pras amizades, sei lá kkkk coisa boa a gente não guarda, multiplica. Bjs e até :*

 

A inconstância do medo de amar

Por Vitória Cabral

dcc32e4be6b427159661ddcf5726803aQual o momento certo pra saber se é amor? Quanto tempo vale a alma disposta a encontrar o que procura?  Ao se dar em parcelas e em seguida fugir do que mais se quer, você se depara diante de tantas incertezas na vida.

Talvez seu medo morem em saber se o outro lhe é recíproco, se é verdade ou ilusão, e isso te consome. Nesse tempo não  sabe o que se sente. Calma, só com o tempo entendemos.  E então você foge e se mira em outro universo, já que essa loucura  não te deixa viver. E assim faz do vazio um espaço do abismo que recai sobre você e o outro, pois é inútil acreditar em um começo depois que se perdeu o tempo, a hora e o lugar.

É injusto não saber o que vem depois, mas é assim que seguimos viagem, ou melhor, é por isso que continuamos seguindo em frente, pra saber o que nos espera.

Eu sei, não podemos voltar, mas sou dada ao e se… e tudo mudaria?

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Somos todos…?

Por Vitória Cabral

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No papel o que consta é que somos cidadãos, bem assim, vê que bonito:

Ser cidadão é ter direito à vida, à liberdade, à propriedade, à igualdade perante a lei: ter direitos civis. É também participar no destino da sociedade, votar, ser votado, ter direitos políticos. Os direitos civis e políticos não asseguram a democracia sem os direitos sociais, aqueles que garantem a participação do indivíduo na riqueza coletiva: o direito à educação, ao trabalho justo, à saúde, a uma velhice tranquila.

Mas eu me pergunto onde anda a cidadania. Acho bem provável que ande pelo Ocupe Estelita tentando se fazer valer. Na terra que a democracia é tirada no cara ou coroa, ou melhora ainda, nos dados viciados de um governo que só muda de nome, mas o caráter sanguessuga continua o mesmo, ser cidadão é algo perigoso.

Não sei se estou certa, já me enganaram tantas vezes. A primeira vez que ouvi falar do Estelita (2012) um amigo em puxou de lado pra dizer que era movimento de burguês e não dei muito crédito, o tempo se passou e bem depois vi o projeto Novo Recife, achei lindo, mesmo não sabendo como era o Estelita. Só ano passado entendi o que de fato significa todo o movimento, que o Estelita não é e nem pode ser pra burguês, que o Ocupe não é de desocupados e sim de CIDADÃOS tentando fazer valer NOSSA cidadania.

Minha senhora, meu bom burguês, que merece repeito sou eu, não estou tirando nada seu, são vocês que estão barrando meu direito de ir e vir ou permanecer. E eu penso em todos os nossos direitos e nas nossa condições impostas por um sistema ganancioso.

Como me partiu o peito e doeu a alma ver que por fata de condições minimante digna pra qualquer animal, inclusive pros seres humanos, Camila Mirele não resistiu ao baque e o atropelo do descaso e morreu. E eu falo me pondo em seu lugar, pois todos os dias eu guardo a minha dignidade e pego um ônibus lotado pra ir, tantas vezes, na porta do mesmo. E o respeito que  eu deveria receber, minha senhora? Como a senhora acha um absurdo vinte barracas na porta do seu prédio? Ah, é que favelizou muito sua vista. Faveliza sua vista, também, uma educação de qualidade pra todos, professores sendo justamente remunerados? Realmente, isto é uma barbaria.

Somos todos Camila Mirele, somos resistentes de uma terra sem direito e sem lei, onde os professores apanham e a polícia, de batom, maqueia pro lado do governo. Resite Estelita, resite pra pegar busão, voltar pra casa como Camila só queria, depois de tanto que esperou um ônibus que queima parada e vem lotado.

Aos familiares da estudante presto minha solidariedade.

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Transição

Por Vitória Cabral

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Se reinventar é uma tarefa diária. Mas será que existe alguém inteiramente completo? Vez por outra fico imaginando se esse alguém não poderia ser eu, se de fato este alguém é real. Mas já parou pra pensar quanta gente de papel exite por ai? Gente que a gente inventa que é feliz 24h, e bem por isso nos obrigamos, quase sempre, a estampar um belo sorriso no rosto. Gente que a gente inventa que não tem problema como eu e você e que idealizamos, de longe ou de perto, uma felicidade eterna.

Daí eu lembro do trecho daquela do Rodox – De Uma Só Vez “se escrever com giz a chuva apaga o que é definitivo como tatuagem”, quanta coisa que abandonei por anos e quando fui buscar o tempo já havia levado pra dizer que não era eterno. Quantas coisas me assombram por não serem exatamente como antes, mas quanta gente eu assusto por já não ser o que lembravam.

A vida é meio disso e daquilo, de medo e coragem, de olhar pra frente e abraçar a nostalgia. Mas daí tem um hora que a gente tem de entrar pelo nosso avesso pra entender quem nos tornamos e equilibrar o que é saudade com o que é ilusão.

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Vírgula

Por Medo da Pressa

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No escuro, um vazio.
Em meu peito, uma dor.
No caminho, tempo frio.
Na cabeça, um grande amor.

Sobre a face, uma lágrima.
Entre os dedos, uma flor.
À tristeza, seja anátema.
Aos meus olhos, uma cor.

Cinza cobre, cinza prata.
Sim, já cego, sem rumor.
Sempre aberta, sente a farpa.
Na ferida, um tremor.

Entre os anos, entram tempos.
Entre os tempos, esperança.
Menos dor, mais sentimento.
Pela vida, salta e dança.

Com sorrisos, mais amigos.
Nos olhares, compaixão.
Os momentos, mais vividos.
Aos meus dias, emoção.

No amor, o tempo é rei.
Na alegria, é bonança.
Na ganância, o tempo é lei.
Nos humildes, é criança.

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Sobre aquela canção

Por Vitória Cabral

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Precisava andar só, com os pés descalços e repensar a vida enquanto a areia passava pelos meus dedos.

Eu havia me tornado uma estranha em mim, havia perdido meu jardim secreto, meu lugar seguro. Mas como voltar dentro de si mesmo? Dizem que o que nos impede de andar pra frente é a direção que escolhemos. Eu ficava pensando e repesando sobre isso, enquanto tentava arrumar a bagunça dentro do que diziam ser minha alma. Já era um bom começo.

De passo em passo, quando percebi, eu corria por ai como uma louca, respirando fundo e com uma vontade insana de chorar. E juro, eu juro mesmo que ouvi alguém sussurrando “You were made to go out and get her”. Foi ai que fui parando. Eu não precisava fugir, só mudar a direção de tudo, só arrumar todo o caos que havia dentro do meu coração/mente.

E eu poderia nem estar perto do que mais queria conquistar, mas eu sabia que realmente era isso que ia fazer. Não era uma dor tola que ia me fazer retroceder.

Voltei pra casa olhando as coisas como elas poderiam ser, ainda tinha vontade de chorar enquanto sentia a areia passando pelos meus pés, mas era um choro de consolo próprio. Escolhi uma música triste e me senti melhor, o medo passou, o sol também.

 

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Insensatez | parte 3

Por Vitória Cabral

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Ela não aguentou, depois dele perder sua formatura, de tão bêbado, ela saiu de casa. Deixou tudo okay, até comprou o pão. Não tinha raiva. No fim, o carinho era grande, sabia que não adiantava tentar mudar o que ele era, mas já tinha mais que pago uma dívida; tinha se afastado dos amigos, que não entendiam. Sem contar com a família que tinha avisado que aquele romance não ia durar muito tempo, que depois de dois meses ela enjoava e arrumava um surfista estudante de direito, combinava mais.

Depois de tanta abnegação, esforço, renuncia deixou um bilhete perto do saco de pão; já não dá pra viver assim, na quinta nos vemos naquela sorveteria.

Ela pensou, voltou no tempo, ligou pras amigas, saiu pra se reconhecer. Chorou um pouco, ficou bêbada e falou que iria mudar e que amava as amigas. Mas ninguém costuma acreditar numa promessa de segunda ou terça.

Ficar na casa da irmã mais velha era melhor que ficar na casa dos pais, mas a irmã teve que dizer e redizer o quanto abominava aquele cara sem futuro.

Chegou a tal quinta, e realmente fez as malas de vez, mas não o deixaria tão só, já havia organizado sua vida, não ia deixar que ele continuasse uma bagunça, arrumou um emprego pra ele na agência de um amigo.

O amor não foi suficiente, e mesmo que parecesse insensatez deixar um amor, ela teve de partir. Muda-lo seria injusto, ele era o que era, essa era a maravilha dele, e ponto.

Talvez o destino desse amor fosse a saudade um do outro, cheio de lembranças de algo que ambos, claramente, jamais esqueceriam, mas era obvio que continuar com esse amor seria uma escolha infeliz. É que nem sempre amor e felicidade são sinônimos.

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