Arquivo de ‘Entre cônicas e Poemas’ category

Insensatez | parte 2

Por Vitória Cabral

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Corre e quando vê já está na biblioteca do clube, entre as estantes. Pega um livro do Cabral e outro do Osman. No beco perto do clube vê uns caras puxando a sua garota pelo braço, como se tivesse a força de um touro enfrenta os valentões e leva a garota pra sorveteria mais próxima. Conversaram por horas, ela conta sobre a vida e chora um pouco. Ele não acredita no presente, mas entende tudo que sai da boca dela. Ela pede pra ver os seus desenhos e seu coração gela, seu estômago ferve, ou o contrário? Consegue responder que deixou o caderno em casa já que era o fim das aulas. Ela sorri e marcam outro sorvete pra que ela possa ver os famosos desenhos. Ele fica nervoso e a acompanha calado até a porta do seu prédio. Ela vai pensando em como ele é estranho, mas como ele foi bom, do pouco que soube dele por ele mesmo acabou se encantando por aquele garoto estranho.

Ela foi pro curso de economia, ele foi fazer cinema. Ela vivia da razão exata e ele dos sonhos impossíveis. Ela pagava o aluguel, ele esquecia de comprar pão. Ela pagava o plano de saúde e ele não tinha direção. Ele andava muito bêbado, ela já não era um sonho e ele amava ilusão. Ela o amava cada vez mais e ele ficava sóbrio cada vez menos. Ele desenhava gatos vermelhos, fazia festas no apê com um bando de gente feia e fedida, fumava e bebia mais que o combinado. Ela chorava por se sentir tão só e ele achava que o que viviam era poesia. Ela se formou e ele empurrava o curso com a barriga. Ela gritava, não entendia. Ele ria, não precisava cortar o cabelo, trocar de roupa ou tirar os sapatos pra dormir no sofá.

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Insensatez | parte 1

Por Vitória Cabral

Gente, eu adoro escrever umas besteiras. E por esses dias fiz um texto que vou repartir em três partes e postarei durante a semana, espero que gostem ♥

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Se derretia em lágrimas. Faziam cinco dias que revia cada passo dado e nada o salvaria daquela noite. Nada…

Se ao menos soubesse… não sabia, não tinha nem ideia, apenas queria seu amor de volta. Mas era inútil, no lugar de um coração batia um fino metal, era isso o que diziam dela. Tão fria e tão distante. Olhava sem nos ver de verdade, embora a gentileza estivesse presente em suas palavras sabíamos que seus sentimentos não passavam da boca.

Se considerava uma mulher prática, a única insensatez era amar um bêbado viciado em cigarros baratos, cabelos muito bagunçados e que vivia de fast food. Apesar de todos os pesares tinha um coração gentil e cheirava muito bem, aquele cheiro de amoras e cigarro tinha gosto de nostalgia. Além disso ele havia salvo sua vida.

Quando adolescente ele vivia desenhando seu rosto em vários ângulos e de várias formas, uma paixão quase secreta, pois ele achava que ninguém da escola sabia. Algumas vezes ele rondava seu quarteirão para ver se ela iria passar e sorrir de volta; isso nunca aconteceu. Depois virou sócio do clube só pra ficar olhando a garota tomando sol pela janela da biblioteca. Odiava o lugar, de frente para o mar e muita gente bonita no mesmo lugar; um resumo do inferno. Mas adorava o acervo da pequena biblioteca e as janelas que de cima contemplavam toda parte da piscina,  e ela sempre estava por lá.

No último dia de aula do último ano seu coração estava aos pedaços, nunca mais veria aquela garota todos os dias pela manhã, começou a usar um shampo de amoras depois de saber que era a fruta preferida dela.

O toque final estronda seu coração, todos comemoram, mas ele fica por ali, tentando imaginar como seria se ele topasse com ela por aí, talvez ela viaje pras festas de fim de ano. Talvez ela arrume um novo namorado…

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Amor

Por Vitória Cabral

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O amor está entre algo complicado e algo que complicamos.

O medo que se tem do amor e a pressa que se tem pelo cotidiano nos faz devagar entre o que é real e o que é abstrato.

O amor é real, o medo não, mas juntos se tornam o contrario e assim como complicamos nossas vidas com a pressa complicamos também o amor com o medo.

O amor pra depois, atropelado nos desacertos que foram se acontecendo. Eu sei, a gente sempre acaba querendo um algo mais, uma vinda do outro , uma tentativa de nos querer, uma busca. Procurando aquilo que mais tememos em nos dar.

Pode parecer andar em corda bamba, mas não é só você que se sente assim, o outro também e pra que o amor aconteça os dois tem de fazer acontecer. Vejo tanta coragem pra lutar na carreira, defender um time, falar o que pensa num debate, mas e pra viver o amor!?

Podemos não nos sentir preparados, mas não há criatura que já nasça sabendo como? Amar só se aprende amando e viver só se aprende vivendo. Se arriscar é tentar ter um sim ao invés de se lamentar pelo não. E no fim do dia do amor eu digo: ame, sem medo, sem vergonha, sem barreiras, se arriscando e tentando. Amar é contínuo mesmo que nós não sejamos.

Imagem: Ully Flôres

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Curtas ♥

Por Vitória Cabral

Eu e meu namorado vivemos trocando links dai ele me mandou um curto do Social Fly com o vídeo Cornetto Cupidity, Kismet Diner (Film) e depois fui vendo outros e vou compartilhar 3 dois mais lindos que vi nesta navegada, duas das quais acredito que sejam parte de algum projeto/saga chamada Cupidity.

Preparado para sorrir e se emocionar!? Então bora lá.

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Leiturinha ♥

Por Vitória Cabral

Leiturinha é o projeto encantador do designer Higor Cayo (o responsável pelo layout lindo do nosso blog), e da redatora Marcela Egito. A ideia é somar o talento profissional dos dois com o amor pelos filhotes e pelo mundo infantil. Marcela, que é redatora faz os textos, dos quais tanto o filho dela (Tico) quanto os de Higor (Zezinho e Clara) viram personagens. Já as ilustrações ficam por conta das mãos talentosíssimas de Higor. A promessa é transformar quem lê em criança, e realmente o faz.

É muito amor, minha gente!

Pra seguir no face é só clicar aqui

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